Novo número da revista do Arquivo Municipal de Loulé

loulerevistaPor: José d’Encarnação

Está em distribuição o nº 18, referente a 2017, da Al-'ulyà, revista do Arquivo Municipal de Loulé.

Fiel aos preceitos que deve nortear uma revista cultural municipal – e há, felizmente, cada vez mais municípios que apostam nesta mui digna e louvável iniciativa – vem este número cheio de novidades que a investigação histórica local proporcionou.

Assim, José Manuel Vargas Girón dá conta do que logrou apurar acerca dos instrumentos de pesca usados no litoral louletano (p. 7-24).

           

As arqueólogas Sandra Cavaco e Jaquelina Covaneiro não quiseram sair da ‘sua’ Tavira e, desta sorte, facultaram uma panorâmica que bem pode relacionar-se com a história louletana: bisbilhotaram e deram-nos a conhecer (p. 25-40) o que se passou em Tavira entre 1212 e 1242!

Maria Fátima Machado quis saber o que fazia o Julgado dos Órfãos de Loulé em relação ao seu (deles) património, nos séculos XV e XVI (p. 41-65).

Teresa Fonseca meteu-se na política: como foi essa história das eleições e dos eleitos municipais, em Loulé, de 1799 a 1801 (p. 67-84)? Uma pesquisa fina, como se vê!

António de Abreu Xavier foi ao arquivo municipal ver o livro do registo dos passaportes passados entre 1833 e 1835. Um bom pretexto para se aperceber – e nos contar – o que foi o movimento migratório dos louletanos então (p. 85-123).

Joaquim Manuel Vieira Rodrigues teve outro interesse: como foram a vida e a luta dos sapateiros de Loulé entre 1890 e 1945? Um longo período, que passa pelos finais da Monarquia e vem por aí adiante até ao final da II Grande Guerra. É, sem dúvida, uma história a despertar curiosidade (p. 125-140).

 João Figueira parte de uma informação: «Loulé inaugurou a luz eléctrica há 100 anos». Foi a 5 de Março de 1916. E, claro, vai por aí adiante, até aos nossos dias, desfolhando quadros estatísticos de consumos, consumidores e preços (p. 141-159).

Luís Pires apresenta, por seu turno, um título longo, porque se propôs reflectir sobre o que pode individualizar-se do contributo dado pela actividade do arquitecto Manuel Maria Cristóvão Laginha (1919-1985) «para a construção de uma linguagem da Arquitectura como proposta cultural nos anos 50 em Loulé». Recorde-se que, nos anos 50, houve por toda a parte no País a vontade de proceder aos arranjos urbanísticos das povoações, nomeadamente das vilas e cidades. Manuel Laginha integrou os Serviços de Melhoramentos Urbanos e deve-se-lhe, por isso, uma atenção muito grande à urbanização de Loulé. O texto de Luís Pires, bem recheado de fotografias e de plantas, elementos que sabiamente colheu no Arquivo Municipal, representa, pois, um exemplo dos estudos que, para a mesma década, poderão v ir a concretizar-se no País.

Finalmente, com a sua proverbial bonomia, José Carlos Vilhena Mesquita quer vender-nos… banha da cobra! Uma assaz curiosa digressão pela farmacopeia dos tempos antigos até aos nossos dias (p. 195-221).

Motivos de saborosa leitura para os que gostam destas coisas da História não faltam, por conseguinte, neste volume de 2017 da Al-'ulyà. Ao seu director e mais directo responsável e dinamizador, Manuel Pedro Serra, um abraço de parabéns!

cyberjornal, 12 Março 2018

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