Pisão mostra “Casa dos Lagares”

PisaoCasa do lagarJ. d’E.

No âmbito das comemorações dos 33 anos de gestão da Misericórdia de Cascais no Centro de Apoio Social do Pisão, sito no vale da Ribeira do Pisão, a norte de Alcabideche (Cascais), houve convite para, na tarde do passado dia 2, se visitar o Núcleo Histórico e Cultural - “Casa dos Lagares”.

 

 

Pisao placa identificativaTrata-se da reabilitação feita há já algum tempo da área da quinta que albergava o pisão (daí lhe adveio o nome). Um lagar de que se lograram recuperar não apenas o piso circular em que se apoiava o seirão cheio de azeitonas para esmagar, mas também o lagar de vinho com os tanques necessários para a produção.

Descarnaram-se as paredes, a fim de se saber como era o edifício outrora e todo o espaço foi preenchido com a exposição de mobiliário e de objectos antigos, memórias de um tempo que passou. Destaque vai, por exemplo, para uma cadeira da barbearia, pois, como se sabe, ali funcionou durante décadas, em regime semiprisional, a «Mitra», que se preconizava fosse auto-suficiente.

Na página que o Centro detém no Facebook https://www.facebook.com/events/195509617698703/ pode ler-se o seguinte:

«O Centro de Apoio Social do Pisão foi a partir dos anos 40 e até 1985, o PisaoEstado NovoAlbergue de Mendicidade da Mitra, designado de Colónia Penal Agrícola do Pisão.

Pisaoapetrechos de outroraDurante o Estado Novo, de acordo com uma política de “regeneração social”, toda a população considerada “marginal” – pobres, sem abrigo, ladrões, homossexuais e doentes mentais… – era encaminhada para os Albergues de Mendicidade.

A Colónia do Pisão, afastada das outras localidades, rodeada por uma vasta área florestal e de exploração agropecuária com mais de 300 hectares, constituía o espaço propício para o isolamento e punição. Aqui, os albergados trabalhavam na agricultura, na pecuária, na construção dos edifícios da colónia, na exploração florestal, pedreira, fornos de cal e outros trabalhos de autossubsistência, sob a disciplina policial.

A 2 de Fevereiro de 1985, o Pisão passa a ser gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Cascais, mediante acordo de gestão com o Instituto da Segurança Social.

Ao chegar a este Centro, a Misericórdia iniciou o seu trabalho pela humanização do espaço, pelo cuidar das pessoas, por melhorar os espaços existentes, por proporcionar hábitos de vivência em comunidade e de procurar laços familiares e de dar afecto aos que aqui se encontravam.»

Várias dezenas de amigos da Misericórdia acederam ao apelo e, visivelmente surpreendidos, percorreram os espaços que constituem o Núcleo. A dada altura, cantaram-se os parabéns e saboreou-se uma fatia de bolo de aniversário. 33 anos consagram, sem dúvida, uma data simbólica.

 

 

 

 

 

 

cyberjorna, 4 Fevereiro 2018

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