Edgardo Xavier brinda-nos com… loengo!

LoengoPor: José d’Encarnação

Pus minúscula de propósito, embora saiba que mandam as regras que nome de livro se há-de escrever com maiúscula. A razão vem todinha logo no convite para a sessão de apresentação, a 3 do corrente mês de Outubro, a partir das 17 horas, na Casa de Angola, em Lisboa.

Declara o Poeta que loengo «nasceu para a sede dos corpos sob a intensidade do calor», «uma delícia que arrepia», garantindo que «quem gosta nunca o esquecerá»…

Conhecemos o pendor sensual da Poesia de Edgardo Xavier, «um lírico, no sentido pleno da palavra. O amor – platónico, carnal, devorador… – enche-lhe as páginas, como, real ou imaginariamente, lhe encherá por completo os dias» – escrevi em Agosto de 2017. E, a propósito de um dos seus últimos livros, Escrita Rouca, comentei:

«Palavras poucas, medidas. Solilóquio quente, apaixonado, de total entrega. E assim se mata a solidão. E assim se proclama um erotismo suave, salvador – ainda que só de um dos amantes se oiça a voz! E que voz!...».

Não admira, pois, que Rita Pais, no prefácio, confidencie que a obra de Edgardo exerça nela «um fascínio profundo, um quase voyeurismo inofensivamente perverso». Assim é, na poesia; assim será na prosa.

Este Loengo, portanto, promete. Desde logo, essa ressonância da sua Angola natal, exótica, de avassaladores cheiros fortes no final das tardes a prolongar noite adentro…

Editado pela Modocromia, este livro de contos vai, sem dúvida, seduzir o leitor. E volto a citar a prefaciadora:

«Cabe-nos a nós, leitores ávidos deste Loengo que me deixa marcas fundas como cicatrizes que se cuidam com a ternura que só o amor conhece, usar a liberdade que, lendo-o, o autor nos permite para degustá-lo, desfrutá-lo e amá-lo como, por direito próprio, merece».

Explica o autor, logo no início, o que se passou: onde trabalhava deixou de ter trabalho; sentia-se como que ‘na prateleira’ (para usar uma expressão do dia-a-dia); daí ter começado a pensar, a inventar histórias, como que ‘para passar o tempo’:

«Algumas dessas histórias e breves contos recentes integram este livro. Não tenho compromisso com a realidade factual mas projectei-me nalguns destes contos.

Nem sempre sou rigoroso porque a magia e o sonho me arrastam para utópicas paragens onde gosto de ficar. Sinto-me poeta mas ficaria feliz se o leitor me aceitasse também como escritor.»

Aceitamo-lo. 81 contos, 81 perspicazes olhares em 234 páginas. Brevíssimos, lapidares, a maior parte de uma página só. A ler de uma só assentada, porque não se resiste; mas na vontade, sempre, de depois voltar atrás, para saborear o rigor da observação, da frase, da… farpa!

Parabéns ao Autor, escritor! Aplauso à Modocromia por ter aceitado o desafio!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cyberjornal, 2 Outubro 2018

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