Eu quero um abraço!

tomatesHino final 3 Por: José d’Encarnação

– Eu quero um abraço! Não se vão embora!

O pano acabara de correr sob os fartos aplausos que, mui calorosamente, a sala, repleta, tributara aos actores. Começara-se a comentar o espectáculo, enquanto se abotoavam os casacos e se ajeitavam os cachecóis.

– Eu quero um abraço! Não se vão embora!

Fora uma das actrizes que assim gritava, entreabrindo a porta que dava para os camarins.

De facto, ninguém estava com vontade de se ir embora, sem abraçar quantos, essa noite, ali – corajosamente e com imensa alegria – haviam mostrado o resultado de muitos serões roubados ao calor da família, para presentearem a aldeia com a sua vontade de mostrar que a vida não é só labuta de manhã até à noite, num frenesim, e tem de haver espaço para o entretenimento.

Foi, na noite do passado dia 19, sábado, a antestreia da revista «Olha os Tomates Madurinhos», de António Chapirrau, levada à cena pelo Grupo de Teatro Amador do Grupo Desportivo do Zambujeiro.

Entretenimento? Sim! A revista é mesmo isso: a saborosa crítica do quotidiano local e político vai sendo entremeada com as canções, designadamente o fado, sempre bem-vindo e apreciado.

Quando anunciei a realização do espectáculo, cujo título sugere a existência de tomates madurinhos, dei a entender que, estando o Zambujeiro em plena zona saloia de Cascais, se trataria, obviamente, de uma evocação dos tempos – pelas décadas de 40 e 50 – em que os saloios dessas terras debandavam a praça de Cascais para aí venderem os seus «ecológicos» produtos hortícolas (dir-se-ia hoje). Uma das cenas, a da venda de legumes, mostra, na verdade, a riqueza das hortas locais; contudo, está bem de ver, o segundo sentido é mesmo o rei da revista e grelo é grelo que se mostra, sim, fresquinho, mas outro grelo, outro tomate há, escondido… e a malícia fica instalada!

tomates3 

Dez números em cada parte (a que tem de se acrescentar o solilóquio, em pretenso telefonema do encenador, quase no final) constituem pretexto para boa gargalhada, sempre! A consulta médica, o recurso à Internet (a «nete»…), a paródia aos vencedores dos euromilhões, a mui feliz comparação do tanque de lavar roupa comunitário da aldeia com o que hoje se lê no Facebook (não havia o Facebook mas havia o Facetanke!…) – são retratos humorísticos de engraçados instantâneos do nosso quotidiano.

No final, o hino, digamos assim, a proclamar que é a revista herdeira de muito nobres tradições teatrais de Portugal e que este Grupo de Teatro Amador está determinado a prosseguir nessa caminhada.

Um espectáculo a ver!

Estão previstos espectáculos até 31 de Março, aos sábados (às 21.30) e aos domingos às 17. Reservas através do telemóvel 937 907 563.

No elenco, desdobrando-se nos mais diversos personagens, sempre com guarda-roupa a condizer e adequados cenários e adereços: Beatriz Dorropio, Carlos Rodrigues, Filipe Santos, Isabel Silva, Joana Lopes, José Reboca Santos, Maria João Santos, Rita Veloso, Rosa Rodrigues e Susana Cupido. José Sobral encarregou-se da luz e do som; Carlos Rodrigues foi também o contra-regra; Filipa Martins com José Reboca Santos garantiram a assistência de palco, a caracterização esteve a cargo de Ana Sobral.

No final, António Chapirrau fez os agradecimentos – aos actores, à Direcção da colectividade e ao público. Hugo Sobral, presidente da Direcção do Grupo, louvou a iniciativa e distribuiu ramos de flores aos elementos femininos do elenco e lembranças aos homens.

Para todos, o maior aplauso! E que nunca esmoreçam, Amigos!

 

 

 

 

cyberjornal, 26 Janeiro 2019

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