O pessoal do Zambujeiro não quer ficar atrás!

ZambujeiroenfiarPor: José d’Encarnação

Novamente se fez sentir o dinamismo imparável do Grupo de Teatro Amador do Zambujeiro.

Povoação recatada, ali plantada como que num requebro da serra de Sintra, com Janes a espreitá-la de norte e Murches a guardá-la pelo sul, e, em volta, os matos que ecológica e mui saudavelmente persistem para lhe emprestar bem sadios ares, poder-se-ia não dar nada por ela. Mas tem que se dar! E lá está o pessoal do Grupo Desportivo e, de modo especial, o seu Grupo de Teatro Amador, que, sob a incansável batuta de António Chapirrau (este homem não pára!...), de vez em quando nos brinda com mui excelente ar da sua graça.

Está em cena desde o dia 20, aos sábados, a revista «Não consigo enfiar!...». Logo o título, pleno de ambiguidade, sugere derrapagem para a malandrice. Afinal, porém, a conversa é entre duas senhoras já de alguma idade que se entretêm a costurar, até que uma, distraída, deixa escapar a linha e… quem é que a ajuda a enfiá-la no buraco da agulha? É o cabo dos trabalhos!...

São onze quadros em cada parte, sempre eivados de crítica saborosa aos costumes e onde se retratam as situações picarescas do dia-a-dia: o marido que só quer ver futebol e nem repara como, de um momento para o outro, a mulher se alindara a rigor; a bem sedutora vendedeira, de porta em porta, de sofisticado detector de mentiras; a moçoila que se aventura a namorar com o idoso rico (sabe-se lá porquê tanta paixão!...); a gaguez a propiciar inoportuno corte de sílabas em palavras traiçoeiras… Tempo também para se ouvirem canções de todos os tempos: a Maria Papoila, Os Marinheiros… E a criança que sabe mostrar ao político que, se calhar, ainda há muito para fazer na defesa dos direitos alheios, das crianças nomeadamente.

E terminamos em coro a proclamar, em marcha, que a revista do Zambujeiro faz «do feio menos feito», «do bonito mais bonito» e, assim, «esta aldeia fica só bonita, só bonita!».

Avelino Cupido, Beatriz Santos, Carlos Reboca, Inês Ramos, Isabel Silva, Joana Lopes, Laura Sobral, Margarida Silva, Maria João Baleia, Rosa Rodrigues, Susana Cupido e Filipe Santos são os actores. José Sobral encarregou-se da luz e do som; Carlos Rodrigues é o contra-regra; Paulo Silva, o carpinteiro de cena; Carlos Reboca e Avelino Cupido são também assistentes de palco. A caracterização deve-se a Sílvia Silva. Cenários gentilmente cedidos pela colectividade de Murches.

No final, o autor e ensaiador louvou o entusiasmo de todos e agradeceu a casa cheia. No fundo, porém, somos nós que lhe agradecemos a sua enorme dedicação, porque o teatro amador constitui, na aldeia, não há dúvida, um motor de progresso cultural e social incalculável.

 

 

 

cyberjornal, 30 Janeiro 2018

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