«Pegou de Estaca» fomentou comunidade

ZambujeiroteatroMC17 2Por: José d’Encarnação

Fotos: Miguel Cardoso

O Grupo de Teatro Amador do Grupo Desportivo do Zambujeiro levou a efeito, com textos e direcção de António Chapirrau, três sessões da revista «Pegou de Estaca».

Tive ocasião de assistir na noite de sábado, 18 do corrente mês de Fevereiro, e não dei por mal empregado o meu tempo. Primeiro, porque me diverti com os quadros, sempre breves e engraçados; depois – e confesso que, para mim, isso acabou até por ser o mais importante - as representações contribuíram para consolidar a comunidade dos vizinhos.

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Na verdade, todo o elenco era conhecido da maior parte dos assistentes: era a Beatriz Santos, a Laura Sobral, a Margarida Silva, a Maria João Baleia, a Noélia Ramos, a Rosa Rodrigues, a Sofia Gomes, a Susana Cupido e o Filipe Santos. E da ficha técnica constavam também nomes de todos bem conhecidos: o Paulo Evaristo (luz e som), o Avelino Cupido e o Carlos Reboca que deram apoio em palco, e o Carlos Rodrigues (contra-regra).

E, findo o espectáculo, parecia mesmo não haver vontade de arredar pé: o público, que enchera por completo o salão da colectividade, por ali foi ficando à conversa com os «artistas», que vieram confraternizar com a plateia, ouvir os comentários, mostrar o seu contentamento. A colectividade cumpria, assim, um dos seus objectivos: reunir em torno dela a população, contrariando eficazmente a tendência generalizada de cada um ficar em casa, de pantufas, agarrado à televisão. Aliás, no andar de cima, jogava-se animadamente ao snooker e até havia oportunidade de nos deliciarmos com filhoses quentinhas feitas na hora!...

ZambujeiroteatroMC17cy7Os textos? Dez em cada parte, onde os enleios, as coscuvilhices, os trocadilhos se entremeavam com canções e mesmo o fado. Tudo um beijo curava, dizia alguém, a cada moléstia que lhe perguntavam; «e também cura as hemorróidas, senhor?» – e a gargalhada estalou! E a habitual cena das surdas, que ouvem tudo ao contrário. E a madame que vai à feira comprar lingerie e tudo se complica – «Ó criatura!» – com a pequenez do sutiã e a preferência pelo fio dental. E a loira que teima que sardinha é macho porque na lata diz «sardinha com tomate». E o poema, já clássico, «O cume», cuja oralidade é por demais… traiçoeira!

O nome da revista vem no quadro «Alentejana à procura de nome», onde se dá conta dos aparentemente estranhos nomes que abundam no Alentejo; e, claro, falando-se de famílias e casamentos e apelidos que passam de uns para outros, «pegar de estaca» não tem propriamente o significado… botânico!

Enfim, um espectáculo singelo, despretensioso, que teve dois condões: fez rir e ajuntou a comunidade em torno dos seus amadores, que roubaram tempo à família, sim, para virem apresentar o resultado de muitos serões já de si bem divertidos, mas que o calor dos aplausos sobejamente compensou.

Está de parabéns o Grupo de Teatro Amador e daqui vai o nosso abraço a António Chapirrau, no voto de que continue. Aliás, o espectáculo, que bem no merece, vai agora, como se diz, «entrar em tournée» pelas colectividades vizinhas. E vale a pena!

De resto, também o programa do Carnaval se revela aliciante: o Grupo participará, a 26 e 28, no corso carnavalesco da Malveira da Serra. No dia 25, a partir das 22.30 h., haverá baile na sede, com a banda Outra Face; e, no dia 27, a partir das 22, os sons do «Sentido Obrigatório» farão as honras da casa.

cyberjornal, 23 Fevereiro 2017

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