A história do Compasso ou o compasso da História (10) - Hiram Abiff

HiramabifPor: H.D.

A maçonaria é uma entidade filosófica, com grande envolvimento com a cultura e que se comunica com os seus membros, preferencialmente por intermédio de símbolos. Não se sabe ao certo qual é a sua origem; muitos historiadores querem localizá-la há milhares de anos, nos tempos pré-bíblicos, existindo muitas informações e também lendas a este respeito, algumas dignas de fé, outras nem tanto. É importante frisar que toda e qualquer discussão a respeito da Ordem Maçónica sempre envolverá aspectos com um complexo simbolismo das suas ideias , normalmente hermético para o não iniciado na Instituição, o que leva a especulações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hiram Abiff é uma figura lendária e alegórica mencionada no ritual maçónico, que é aceite como mestre de construção do templo do Rei Salomão.

O seu nome é de origem hebraica, posto os dois Hiram referidos nas Sagradas Escrituras proviessem do líbano.

Temos Hiram , rei Tiro e Hiram Abiff, o artífice que esse Rei enviara a Salomão para o embelezamento do Grande Templo.

Hiram Abiff, o arquitecto, era filho de uma mulher da tribo de Dan e de um homem tírio chamado Ur, que tem o significado de "forjador de ferro", conforme o relato bíblico em II Crônicas, 10; ou filho de uma viúva da tribo de Natfali consoante refere Reis I, 7:13. O nome Hiram pode ser traduzido como "Vida Elevada".

A lenda de Hiram Abiff está intrinsecamente ligada às origens do Templarismo Germanico. Nele se relata a origem lendária da Maçonaria.

Reza a tradição maçónica que o Templo de Salomão foi construído pelo Mestre Hiram Abiff, que além de arquitecto, era igualmente hábil artífice e perito em obras de fundição. A sua verdadeira história, e os pormenores da sua morte não estão escritos nos livros acreditados, e por essa razão são referidos apenas como mais uma lenda da Arte Real.

Todos nós sabemos que uma lenda é uma narração transmitida pela tradição, de eventos considerados históricos, mas cuja autenticidade não se pode provar. Assim sendo, não é possivel afirmar que o facto realmente não aconteceu... O que se pode dizer é somente que não temos provas sobre sua veracidade. O certo é que a “Lenda do Terceiro Grau” é uma base importante e respeitada na Arte Real.

Nenhum rito existe na maçonaria, em qualquer país ou idioma, no qual não sejam expostos os elementos essenciais dessa lenda. As fórmulas escritas podem variar e, na verdade, variam; mas a lenda do construtor do Templo é a essência e a identidade da maçonaria. Qualquer rito que a excluísse ou a alterasse , deixaria, só por isso, de ser um rito maçónico. Resumidamente o Templo é o corpo do homem. A construção do Templo é a evolução e a elevação de esforços para um fim superior, através do conhecimento da Verdade e a prática da Virtude.

O Templo de Salomão simboliza o corpo físico. Jerusalém , é o mundo interno. Os pontos cardeais do templo são: no corpo, a cabeça, e corresponde ao Oriente, o Baixo-ventre, ao Ocidente, o lado direito, é o Sul, e o lado esquerdo, ao norte. Os Construtores do Templo são os elementos construtores no corpo físico. Assim são: Salomão, que representa o Saber, Hiram, rei de Tiro, o Poder; e Hiram Abiff, o Fazer. Também representam ainda, a Fé, Esperança e Caridade .

Os construtores dividiam-se em três categorias. Os aprendizes trabalham na parte inferior do corpo: o ventre; os companheiros na parte média: o tórax; e os mestres, na parte superior: a cabeça.

As duas colunas do Templo são os dois pólos: o passivo e o positivo, representados pelas pernas esquerda e direita. A Câmara do Meio é o mundo Interno do Homem, no coração ou peito. Cada categoria recebia seu salário, relativo ao seu trabalho e à sua palavra sagrada. Os aprendizes recebiam-no segundo a sua Fé. Os Companheiros, segundo a sua Esperança , e os Mestres, segundo o seu Amor. Apesar do seu grande número dentro do Templo, todos trabalham em silêncio , na Obra do Grande Arquitecto.

Ao aproximar-se o momento do triunfo final, acometem ao Iniciado as três tentações no deserto da matéria, que são a ignorância, o fanatismo e a ambição, ou os três companheiros que querem obter o salário de Mestre. Cada defeito estava armado com um instrumento. A ignorância atacou o lado direito projector do poder positivo com uma régua de 24 polegadas, que representa o dia de 24 horas, e, ferindo a mão de Hiram, inutilizou a obra, ou o instrumento da obra, que é a mão. O fanatismo golpeou o coração com o esquadro, que é o símbolo do homem inferior, dominado pelo seu fanatismo; o esquadro é a forma material, é o conhecimento intelectual, que é necessário ao homem, porém, este, na maioria das vezes, facilmente esquece se do Compasso, representativo da Intuição Divina. Ao golpear o coração, mata no mesmo a tolerância e o amor. A ambição golpeou-lhe a cabeça com a malhete, representando neste acto a vontade mal dirigida e mal dominada. Uma vez morta a consciencia , os três tratam de relegar o facto ao esquecimento, "sepultando o corpo do Mestre".

Os Mestres têem um sinal, assim como os Aprendizes e Companheiros. Este sinal é o esforço constante de seu trabalho. O sinal de Aprendiz simboliza o domínio da língua ou da palavra. O sinal de Companheiro, o domínio das Paixões ou dos pensamentos, e o sinal de Mestre é o esforço para dominar os instintos. Sem este domínio, não há imortalidade efectiva, simbolizada pela acácia, cuias flores e perfumes são sempre-vivas. No coração encontramos o Sol Interno, em redor do qual giram todas as faculdades.

Assim, quando o Iniciado adquire a perfeição espiritual, começa, de facto, a desenvolver poderes de maior amplitude, enviando seu pensamento, aspiração e respiração aos centros ocultos de seu organismo . Morte e Ressurreição. A premissa básica de toda a mitologia religiosa ou laica é a aplicação e o desenvolvimento de três acontecimentos fundamentais para todos os povos e civilizações: Nascimento, Morte e Renascimento, ou melhor, o Ciclo da Vida em sua composição mais fundamental.

A Maçonaria também está dentro desta premissa.

 

 

cyberjornal, 1 abril 2017

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