A história do Compasso ou o compasso da História ( 12 ) O Significado do V.I.T.R.I.O.L

macon2017Por: H. D.

A história da Maçonaria é complexa e vou tentar explicar de maneira clara e simples aos leitores, os seus símbolos de origem da Alquimia e da Kabbalah , que podem ser explicados através da sua história.

O objectivo da Maçonaria é demonstrado claramente ao neófito que tem o contacto com a Ordem pela primeira vez: realização da Grande Obra.

Esse objectivo é expresso através da fórmula alquímica conhecida como VITRIOL.

Juntamente com o “o que está em cima é como o que está abaixo”, o VITRIOL é talvez o mais famoso axioma hermético.

Este axioma é utilizado de duas maneiras no antigos textos de alquimia, e a outra é VITRIOLUM.

No caso do VITRIOL são as iniciais de “Visita interiore terrae rectificando invenies occultum lapidem”, já o VITRIOLUM é semelhante mas terminando com “universalem medicinam“. Tem o Significado : “Visite o interior da terra, rectificando-se, encontrarás a Pedra Oculta”, e a outra faz a referencia á “Pedra Oculta” como sendo também a chave para a “Medicina Universal” ou a “verdadeira medicina”.

A fórmula mais comum é a VITRIOL. Primeiro que tudo devo esclarecer que não são todos os Ritos e Rituais da Maçonaria tem as tradições aqui citadas e a que aqui estou a citar . Está ligado com os ritos esotéricos, o que é conhecido como Maçonaria Escocesa, que compõe Ritos como o REAA, RER, Adomhiramita, entre muitos outros existentes e já extintos. Vamos analisar por partes. É uma palavra composta por 7 letras do alfabeto latim , devido ao próprio significado desse número na alquimia, pois toda a Obra é desenvolvida na operação dos 7 metais e dos 7 planetas. Esse axioma é uma refereência directa aos antigos mistérios – alquimia, kabbalah, hermetismo – e também é a porta da espiritualidade maçónica.

O maçon é chamado a conhecer e praticar os antigos mistérios, despertando seu lado espiritual, a procurer e contemplar os motivos da sua existencia.

É chamado a tornar-se um cientista em sua própria vida, a transmutar o que há de defeitos em virtudes, enterrar os vícios e se erguer nas virtudes. As três primeiras palavras, “visita interiore terrae”, dizem respeito ao conhecer o que está em seu interior.

É a primeira fase da alquimia, chamada Putrefação, onde as carnes são separadas dos ossos , e assim acontece a morte do maçon. Significa que as aparencias são deixadas de lado, devemos buscar o que está no interior, o que está oculto.

Por esse motivo outro símbolo que acompanha a fase da putrefação é o negro, a escuridão, que representa um local do oculto que devemos encarar e descobrir dentro de nós. Mais sobre o tema pode ser lido aqui: Iniciação – Hermetismo e Alquimia.

No centro do axioma temos a palavra “rectificando”. Assim como não é coincidência termos 7 palavras, e não é por acaso que esta se encontra no centro. Rectificar significa “fazer recto”, do latim rectus + facĕre, uma referencia directa ao simbolismo do Esquadro. Quando dizemos que “estamos em esquadro” dizemos que estamos a corrigir os erros, a tirando o que não é necessário e a deixar o essencial, ficamos livres do que é mau e ruim e ficamos com o bom . É o que um pedreiro faz em uma pedra bruta quando esquadra suas arestas. Esquadra a pedra bruta para torná-la cúbica, deixando-a perfeita para ser utilizada em uma obra. As três ultimas palavras “invenies occultum lapidem” referem -se á essencia do nosso ser. Após termos arrancado a carne dos ossos para descobrirmos o que é necessário em nós e o que não o é, e termos rectificado todo o nosso ser, chegamos á recompensa: a Pedra Oculta. Essa Pedra Oculta é também outro nome para a “Pedra Filosofal” tão procurada pelos Alquimistas. Ou seja, é algo que existe dentro de nós, e não no exterior. A transmutação alquímica, o lapidar da pedra bruta, o rectificar, são sinónimos para uma total reestrutura espiritual, mental e física.Na maçonaria, o processo de rectificação tem o nome de Arte Real, cujo o objectivo final é a realização da Grande Obra. A Grande Obra é o resultado da Arte Real, quando alcançamos a verdadeira e livre espiritualidade, quando nos comunicamos conscientemente com a centelha divina interior e assim encontramos a Pedra Oculta. Somos convidados a escrever nosso testamento e presenciar a própria morte cada vez que desejamos penetrar no nosso interior e nos rectificar. Isso é, reconhecer o que nos prende aos vícios e morrer para essas atitudes. Portanto, vemos no VITRIOL, um chamado ao conhecimento das coisas existentes na Terra, no Universo e dentro de nós mesmos. O Iniciado é aquele que penetra e vivencia esses mistérios, e não aquele que somente passou pelo ritual de iniciação.

A origem do VITRIOL alquímico, já vem dos místicos sufis. Abu Musa Jabir Ibn Hayyan, mais simplesmente Jabir ou Geber, viveu entre 721 e 815 d.C, é considerado o pai da química árabe.

Relembrando que não havia uma separação entre a química e alquimia, ambas eram uma só ciência que tinha o objectivo de descobrir os segredos da manifestação da natureza através da experimentação. Além de químico foi astrónomo, engenheiro, físico, filósofo e farmaceutico. As suas obras foram escritas através de códigos, somente aqueles iniciados nos conhecimentos da alquimia poderiam interpretar as descobertas e experimentações do autor. Graças a Jabir as portas da química foram abertas de maneira surpreendente, criou aparelhos de laboratório, métodos para estudos de diversas substâncias, decifrou o funcionamento dos metais. Muitos dos seus métodos, aparelhos e descobertas são utilizados da mesma maneira ainda hoje. Seu principal objectivo era o takwin, termo árabe para descobrir o segredo da criação e o funcionamento da vida. Jabir tentou criar a vida em laboratório para poder compreender o mistério maior da Criação. Escreveu também o método de criação da al-iksir que daria longa vida e sabedoria ao alquimista e transmutaria os metais.

Al-iksir recebe o nome latim lapis philosophorum com a tradução dos textos árabes para o latim. Foi encontrado no meio dos textos de Jabir a versão mais antiga que se conhece da tão importante Tábuas de Esmeralda.

Infelizmente a alquimia árabe é pouco explorada pelos estudiosos. Jabir é relembrado pela ciencia até hoje por ter criado o ácido sulfúrico que recebeu o nome de Zayt al-Zaj, mas que foi traduzido ao latim como “óleo de vitriol” por Alberto Magno. Este, como um grande alquimista, decifrou e explicou na sua obra , o significado do VITRIOL.

O ácido sulfúrico tem como principal átomo o Enxofre, que representa na alquimia o princípio corroedor dos metais, aquele de destrói, mata, transforma, para algo novo ser criado.

Devido a explicação que demos sobre o significado do VITRIOL e agora do enxofre, é possivel entender a razão porque Alberto Magno ter atribuído esse nome ao ácido sulfúrico.

Em sua obra Alberto Magno explica ainda que o VITRIOL é “um mineral de uma tal e tão bela graduação que seja limpo e puro, que se chama, como te disse, vitriol”. Ou seja, um metal puro que é também a essencia do nosso ser. Por isso vemos na Europa em alguns símbolos da maçonaria uma estranha fórmula molecular. É a fórmula molecular do ácido sulfúrico, ou vitriol. Somente os entendedores entenderão . “Visite o interior da terra, rectificando-se, encontrarás a Pedra Oculta”, ou VITRIOL – código criado por Jabir Ibn, decifrado por Alberto Magno, utilizado pelos pedreiros alquimistas medievais e herdado pela Maçonaria Escocesa.

 cyberjornal, julho 2017

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