Aldeias do Xisto abrem-se ao turismo

AldeiaXistoPiodaoPor: A.F.

 

Um caso de sucesso em aldeias reabilitadas para o turismo é a rede Aldeias do Xisto, que hoje integra 27 aldeias em 16 concelhos da chamada zona do Pinhal Interior, no centro do país, designadamente nas regiões da serra da Lousã, serra do Açor, Zêzere e Tejo-Ocreza, estendendo-se por um território que vai de Castelo Branco a Coimbra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AldeiasXistopiodaoRecuperadas com recurso a fundos comunitários, estas aldeias estavam em alguns casos desertas, como casal de São Simão, em Figueiró dos Vinhos, Talasnal, ou Cerdeira, no concelho da Lousã.

Era reconhecido o potencial destas aldeias para o desenvolvimento de uma marca turística, mas era preciso fazer uma intervenção profunda ao nível de fachadas, coberturas ou caminhos, envolvendo património público ou privado.

Num primeiro ciclo de apoios comunitários, entre 2001 e 2009, foram investidos nas Aldeias do Xisto €15 milhões, dos quais 80% de natureza pública, e com a tónica na recuperação física das aldeias.

O trabalho envolveu desde a recuperação de igrejas à construção de caminhos em xisto que hoje existem nas aldeias, além da estruturação de redes para o turismo ativo e a intervenção nas praias fluviais.

Mas numa segunda fase, de 2009 a 2015, o foco já era construir uma perceção de valor associada à marca, mobilizando a iniciativa privada e trazendo bens e serviços para o seu quadro. Foi uma fase muito focada no desenvolvimento da marca e na criação de escala. Passou-se de 80 parceiros para mais de 200, com um crescimento muito consistente de empresas a trabalhar debaixo do chapéu da marca, sobretudo restaurantes, mas também empresas de animação turística. Em matéria de alojamentos cresceram de uma centena para mais de 600 quartos, o que neste território foi muito considerável. Nesta fase também se começaram a dar passos para a internacionalização das Aldeias do Xisto.

A rede de aldeias conta hoje com mais de mil camas e têm em média uma taxa de ocupação de 40% ao ano, o que no turismo rural é muito significativo. O negócio turístico nas Aldeias do Xisto gera receitas de cerca de €2,5 milhões. Com o crescimento dos últimos anos, a previsão para 2017 aponta para mais de 50 mil dormidas estando ainda por qualificar o efeito do cancelamento de reservas na sequência dos incêndios em Pedrogão e Figueiró dos Vinhos. Mas ocupando um extenso território no interior do país, a maioria das aldeias da rede não foi sequer atingida por estes incidentes.

Num território rural, encontrar um caminho de crescimento turístico em terra menos pisada, e com uma oferta desligada do sol e praia, é muito motivador. Mais do que o lado económico, este projeto tem gerado uma autoestima e uma identificação, que é muito relevante para estas populações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cyberjornal, 30 Outubro 2017

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