Sincronia, entusiasmo e dedicação numa actividade que não se explica

dancaluzppPor: José d’Encarnação

Exacto: acho que não se explica – vive-se!

Aliás, não andaremos longe da verdade se afirmarmos que este auditório grande do Olga Cadaval, repleto até mais não para ver dançar cerca de 750 (!) alunos das academias Ai! A Dança, sob a batuta imparável de Lucília Bahleixo e toda uma vasta equipa – essa enchente constitui murro gigantesco no estômago dos que pensam (e são muitos, designadamente os que detêm poder político por essa Europa fora…) que dança, música, artes plásticas são coisinhas de somenos, umas brincadeiras para entreter o pagode e para nada mais servem.

Sim, poderão pensá-lo esses que só têm olhos para números; mas só vêem os números que lhes quadram à sua acanhada mentalidade retrógrada.

Vermos o palco ser pequeno para tantos estudantes, desde os pequenitos (um amor!) aos que já passaram o meio século de vida, todos irmanados no intuito de – com hip hop, tango, dança do ventre, dança dos véus, flamenco, salsa, merengue, bailado clássico… – mostrarem como é bonito trabalhar em conjunto, alunos e docentes, seguir regras, obedecer a tempos, disciplinar-se… é sempre uma consolação e grande lição de vida. A filosofia: «dos 3 aos 70 anos», «a democratização e a massificação da Arte, em geral, e da Dança, em particular».

Foi o habitual espectáculo de meio do ano escolar, em duas sessões, na tarde de sábado, 9, no auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, promovido pelas seis academias Ai! A Dança (Sintra, Loures, Santa Iria, Pontinha), este ano subordinado ao título Dança na Luz.

Quase duas horas de espectáculo sem interrupção (ou melhor, duas ou três interrupções fictícias de putos reguilas na assistência admoestados por um professor assim à antiga, para descontrair o auditório…). Claro, a versatilidade do hip hop, mormente quando interpretado por jovens, é sempre muito de aplaudir e encantar, pelo ritmo, pela evolução, pelo gesto rápido extremamente bem coordenado; mas também não nos deixou indiferentes a singular coreografia, interpretada por menos jovens, do ‘Desfado’ de Ana Moura, que arrancou fortes aplausos.

Sempre sedutor e magnífico este encontro no Olga Cadaval!

Valeu – mais uma vez!

 

 

cyberjornal, 10 fevereiro 2014

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