Estudantes estrangeiros demandam universidades lusas

(Coimbra, foto de arquivo)

UnivCoimbra

Por: A.F.

O número de alunos estrangeiros a estudar em instituições de ensino superior portuguesas continua a aumentar e a bater recordes e já é certo que este ano lectivo não será excepção. Há cada vez mais brasileiros a procurar cursos de Direito, mas também Ciências da Educação. Já há mais chineses do que franceses, inscritos sobretudo nas áreas de Gestão e Administração e Línguas e Literaturas. Da mesma forma, os jovens polacos são cada vez mais atraídos por programas leccionados em instituições portuguesas. Inscrevem-se, por exemplo, em Arquitectura e em Gestão mostram os últimos dados da Direcção-Geral de Estatística da Educação e Ciência (DGEEC).

Basta olhar para a evolução dos últimos anos para perceber que este é um fenómeno com cada vez maior dimensão. Uma combinação da qualidade do ensino (reconhecida e projectada em vários rankings internacionais), com preços acessíveis, tanto de propinas como de custo de vida comparativo com outras cidades europeias, clima ameno, a cada vez mais valorizada segurança, uma língua falada por 300 milhões de pessoas e uma passa palavra, multiplicada pelas redes sociais, entre os milhares de jovens que vão recomendando o país explicam o sucesso.

Ainda que esteja longe dos valores de gigantes da internacionalização do ensino superior, como Estados Unidos, Reino Unido ou Austrália, o total de alunos com nacionalidade estrangeira em Portugal quase chegou aos 38 mil – o número duplicou em sete anos. Se se alargar a comparação ao início do século o crescimento atinge os 200%, quando eram apenas 12.717.

Com a maior procura do ensino superior, também as proveniências se diversificaram. China e Polónia são dois casos paradigmáticos. Em 2000, a DGEEC tinha registado 33 polacos e 38 chineses a frequentarem alguma universidade ou politécnico. Agora são mais de 1300 no primeiro caso e quase mil a virem do gigante asiático. Muitos estão matriculados no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE-IUL). China e Brasil e Moçambique são assumidamente três dos mercados em que a instituição tem vindo a apostar, promovendo a mobilidade de estudantes, docentes e investigadores. E os números já o reflectem, com os chineses a constituir a terceira nacionalidade mais representada segundo as informações dadas pelo ISCTE. O número de estudantes estrangeiros aumentou mais de 60% desde 2009 e representa já um quinto da população estudantil, informa a instituição. Por áreas, Gestão, ensinada em língua inglesa, e Ciências Sociais e Políticas Públicas são as mais requisitadas.

No caso da Universidade de Coimbra (UC), a tendência é também de crescimento, com grande destaque para a população vinda do Brasil. No último ano lectivo, a UC contava com quase dois mil alunos brasileiros – mais de metade dos 3557 alunos de nacionalidade estrangeira que estudavam na UC no último ano lectivo.

Mais a norte, no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) o fenómeno é o mesmo. No último curso esgotaram-se as vagas que podem ser atribuídas para estudantes internacionais. Entraram 103 em 2014; este ano foram 376. Somando todos os estudantes não portugueses (1628 de 64 países, mas com destaque para Cabo Verde, Brasil, Rússia, Polónia e Espanha), os estrangeiros representam já 24% da população estudantil superior em Bragança.

Na Universidade do Porto, o presente ano lectivo é também de recordes. Os dados não estão fechados mas está já garantida a ultrapassagem da histórica barreira dos 2000 estudantes que, no mesmo ano, escolhem as faculdades da UP para completar um período da sua formação académica. A estes juntam-se 1700 estrangeiros que estão já na universidade a realizar um curso completo ou a fazer investigação. E os números podem ainda subir. Há uma enorme margem de crescimento tanto aos estudantes vindos dos PALOP como das regiões que requerem oferta em Inglês, nomeadamente a Ásia.     

 

 

As 10 nacionalidades mais representadas  

 

Brasil, 10151; Angola, 3738; Espanha, 3210; Cabo verde, 2642; Itália, 2209; Alemanha, 1424; Polónia, 1312; China, 950; França, 315; S.I. e Príncipe, 861.       

 

 

 

 

 

 

 

cyberjornal, 18 de Maio 2017

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