Em bom ritmo, as obras da 2ª circular, em Cascais

circularcascaisPor: José d’Encarnação

Muitos já, possivelmente, se terão interrogado: se há uma 3ª circular, em Cascais, onde é que está a 2ª, partindo-se do princípio que a 1ª é a Av. 25 de Abril?

A 2ª circular começa precisamente quase no final poente da Av. 25 de Abril: é a Av. Infante D. Henrique, que, após o cruzamento com a Rua Joaquim Ereira, se continua pela Raul Solnado e ora termina na Rotunda dos Bombeiros Voluntários.

Em princípio, deveria continuar até ao Bairro de S. José, com ligação a Alvide e à Av. de Sintra.

A forma de passar pela Ribeira das Vinhas gerou, porém, controvérsia, nomeadamente tendo em conta dois aspectos: o económico (porque exigiria vultosa obra de engenharia) e o ecológico e paisagístico (porque seria prejudicial a uma área verde de características singulares).

A polémica determinou, portanto, que o projecto fosse deixado de parte, embora, a nascente da Rotunda dos Bombeiros, o edifício fabril aí instalado acabasse por ser encerrado (e é o panorama degradado que lá se vê) e a zona entre os prédios setentrionais do Bairro do J. Pimenta (Alto da Pampilheira) e o actual Parque da Pampilheira (parque de estacionamento da Mobi Cascais) se mantivesse no Plano Director como «espaço canal», na perspectiva de a via futuramente chegar a ser construída.

O certo é que, quiçá por se ter executado a obra do parque e assim se poderem aproveitar as movimentações de terras então feitas, o projecto, sem alardes, começou a ganhar concretização.

(Obras do Entroncamento com a R. de Santana)

circularentroncamentocR SantanaO leito do ribeiro do Cobre, afluente da Ribeira das Vinhas, está agora a ser dotado de um túnel de cimento quadrangular, a fim de sobre ele se fazer o entroncamento de ligação da 2ª circular à Rua de Santana. Pensa-se que desta sorte irá ficar, ou seja, que não se projecta – pelo menos, nos tempos mais próximos – uma ligação mais além, passando por sobre a Ribeira das Vinhas.

De qualquer modo, dir-se-á que – com alguma remodelação a fazer no pavimento da Rua de Santana, sobretudo em termos de largura, e a execução de uma rotunda no referido entroncamento – se aliviará substancialmente o trânsito em artérias como a Av. Adelino Amaro da Costa (sobretudo na chamada «rotunda de Birre») e a ligação da auto-estrada a Cascais Ocidental poderá via a ser feita, em alternativa, pela 3ª circular e pela Rua de Santana.

Ilustra-se o texto com duas imagens: mostra, uma, o declive desde o Bairro Operário até à Rua de Santana (assinalada esta com uma seta), quando, à esquerda, ainda havia o olival e se não construíra o parque de estacionamento pago; documenta a segunda, tirada de poente para nascente, ao final da tarde do passado dia 4, o movimento das obras de engenharia para colocação da ‘tubagem’ destinada a canalizar as águas do ribeiro do Cobre sob as vias, em direcção à Ribeira das Vinhas.

Se havemos de nos congratular com a solução? Sim. Primeiro, pelo descongestionamento de tráfego que vai originar; depois, porque tal implicará o rápido desaparecimento do degradado ‘esqueleto’ das antigas instalações da fábrica Pedro Pessoa, bem desagradável ‘cartão de visita’ para quem por ali demanda a vila.

Não foi feito, que se saiba, um estudo do impacte ambiental – porventura obrigatório numa obra que vai implicar significativas alterações numa paisagem sensível; crê-se, porém, que os técnicos camarários responsáveis pelo empreendimento (até porque existe uma empresa municipal chamada Cascais Ambiente) saberão minimizar eventuais inconvenientes.

Que se saiba, não foi o projecto sujeito a discussão pública, decerto porque se partiu do princípio de que já constava há muito dos planos municipais e era, por isso, ponto assente; de resto, nem organizações de defesa do ambiente nem representantes dos partidos da oposição se manifestaram contra.

Teremos, certamente, obra concluída ainda este ano. E será mais um dos projectos longamente acalentados pela população a que este Executivo acaba por dar cumprimento. Em boa hora.

cyberjornal, 5 Outubro 2018

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