Fui a... Tomar Templária

Igreja de Santa Maria dos Olivais

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Mário Sérgio (texto e fotos)

Dois marcos históricos da história de Tomar, a Igreja de Santa Maria dos Olivais e o Castelo de Tomar e uma Ordem Gloriosa : os Templários.

A Igreja de Santa Maria dos Olivais, referida como Igreja de Santa Maria do Olival, está localizada na margem esquerda do rion Nabão, na cidade de Tomar, distrito de Santarém, em Portugal. Foi erguida no século XII, como sede da  Ordem dos Templários, no país, sendo o panteão dos mestres da Ordem. Diante da extinção da Ordem, esta igreja tornou-se a cabeça da Ordem de Cristo, convertendo-se na matriz de todas as igrejas do Império Português, com honras de Sé Catedral. Foi classificada como Monumento Nacional desde 1910, é um dos exemplares mais emblemáticos da arte gótica, em Portugal, sendo o modelo para as igrejas de três naves, construídas até ao periodo manuelino. 

 

 Castelo

tomarMSCstelo8cyO primitivo templo foi fundado por volta de 1160 por D. Gualdim Pais, mestre da Ordem, no local onde antes estava erguido um mosteiro da Ordem beneditina, mandado edificar no século VII por São FrutuosoArcebispo de Braga. Esta zona era parte integrante da antiga cidade romana de Sélio, facto confirmado por escavações levadas a cabo nas imediações desta igreja, e que puseram a descoberto alicerces e estruturas dos antigos edifícios e arruamentos. Não muito longe dali , encontraram o antigo fórum da cidade. A igreja e a sua envolvente serviram como necrópole dos Mestres da Ordem, e o próprio Gualdim Pais foi sepultado no interior do templo, em  1195, do qual apenas resta a inscrição funerária. Na segunda metade do século XIII, durante o reinado de Afonso III de Portugal, a primitiva igreja sofre uma ampla reforma, dando lugar ao edifício gótico actual. Da feição românica  inicial, apenas resta a porta de arco de volta perfeita da fachada norte. O novo templo foi uma referência para a arquitectura gótica mendicante portuguesa, como protótipo de várias igrejas paroquiais, monacais de norte a sul do país. Após a extinção da Ordem em 1314, a igreja tornou-se a sede da recém-instituída Ordem de Cristo, mantendo a sua função funerária. A grande importância da igreja na época medieval é comprovada pela existência de uma bula papal, ainda durante o período templário, ficando o templo na dependência directa do Papa e da Santa Sé, fora da alçada de qualquer diocese. Mais tarde, através de duas bulas, uma do Papa Nicolau V em 1454 e outra do Papa Calisto III , de 1456, foi concedida a obrigação à Ordem de Cristo de estabelecer o direito espiritual sobre todas as terras encontradas pelo Reino de Portugal, como territórios "nullius diocesis", tornando esta Sé matriz de todas as igrejas matrizes dos territórios encontrados na Ásia, na África e na América, sendo-lhe conferida a honra de Sé Catedral. A este facto não foi estranha a intensa participação da Ordem de Cristo nos Descobrimentos Portugueses .

tomarMSCstelo9cyO Castelo de Tomar, no Ribatejo, está localizado na freguesia de São João Baptista, na cidade e concelho de Tomar, no distrito de Santarém, em Portugal. Integra o grande conjunto arquitectónico do Convento de Cristo. Castelo templário na margem direita do rio Nabão, fez parte , à época da Reconquista, a chamada Linha do Tejo, juntamente com outros na região que lhe acompanham o estilo: os de  AlmourolIdanhaMonsantoPombalZêzere. Sendo imperativo a construção de uma fortificação destinada a complementar a linha defensiva do acesso por Santarém à então capital, Coimbra, ao fim de um ano no arruinado Castelo de Cera, o Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, D. Gualdim Pais, filho de Paio Ramires, decidiu pela construção de um novo castelo, em local mais adequado, e que viria a tornar-se a sede da Ordem no país. a construção do Castelo de Tomar iniciou-se em 1 de Março de 1160, conforme inscrição epigráfica em seus muros. Na mesma época, foi iniciada a construção da Charola, mais tarde adaptada para Capela-mor, uma das edificações templárias mais importantes no Ocidente. Diante do compromisso de promover o povoamento da região, D. Gualdim Pais concedeu o primeiro foral ao termo de Tomar em 1162, documento posteriormente confirmado em 1174. Em 1165, a Ordem recebeu ainda os domínios de Idanha e de Monsanto, sendo-lhe prometido, em 1169, um terço das terras que viessem a conquistar ao Sul do rio Tejo. No ano de 1170, a chamada Linha do Tejo foi reforçada com a construção do Castelo de Almourol. Duas décadas mais tarde, sob o reinado de D. Sancho I , a contra-ofensiva do Califado Almóada em 1190 , sob o comando do califa Iacube Almançor, após reconquistar o Castelo de Silves e o Algarve, continuou a avançar para o Norte e assim conquistou , sucessivamente, os castelos de Alcácer do SalPalmela e Almada , entre 1190 , de seguida , cercou  Santarém, destruiu Torres Novas e Abrantes até alcançar Tomar, que, sob sucessivos ataques , resistiu durante seis dias defendida pelos Templários, que quebraram o ímpeto do invasor. Nesta ocasião, os mouros forçaram a porta do Sul e penetraram na cerca exterior. A defesa dos Templários foi de tal forma encarniçado que a porta de assalto ficou conhecida como Porta do Sangue. Quando foram extintos pelo Papa Clemente V , em 1312, o rei D. Dinis acautelou a posse dos bens da Ordem no reino. Assim criou a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo , em 1321, inicialmente com sede em Castro Marim, no Algarve, transferindo-lhe o património da antiga Ordem. Poucos anos mais atarde, entretanto, a sede da nova ordem foi transferida para Tomar , em  1338. O Infante D. Henrique, como Governador da Ordem de Cristo, terá tido residência no Castelo de Tomar. Posteriormente, o castelo foi objecto da atenção de D. Manuel  e de D. João III , através de obras de restauração e reforço, quando foi ampliado o Convento de Cristo. Por ordem do primeiro, a população foi obrigada a transferir-se para a vila, junto ao rio , em 1499; mais tarde , na primeira metade do século XVI, os Paços da Rainha foram ampliados, no sentido setentrional, entre a Charola e a Alcáçova. O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 23 de Junho de 1918, e como Património da Humanidade, pela pela Assembleia Geral da UNESCO de 27 a 30 de Junho de 1983.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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cyberjornal, 3 Fevereiro 2019

 

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