Isabel Magalhães fora da corrida às autárquicas

IsabelMagalhaes

Da vereadora da Câmara Municipal de Cascais, Isabel Magalhães, eleita pelo Ser Cascais Movimento Independente, recebemos um Comunicado dirigido aos Cascalenses, onde  explica as razões que a levam a não se recandidatar à Presidência daquele município, nas eleições autárquicas que vão decorrer no final do corrente ano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cascaosMC1cyDesse comunicado, transcrevemos:

«... Faço-o porque, na ponderação das condições que temos, verifico que não estão assegurados os pressupostos mais elementares da verdadeira democracia, antes estando montado um jogo partidário que impede os Cascalenses de contribuírem eleitoralmente para a melhoria da qualidade de vida na Nossa Terra e para a consolidação da vocação turística de qualidade que desde sempre tenho advogado para Cascais.

Em primeiro lugar pela subversão que os partidos políticos induzem no acto eleitoral, não permitindo que as candidaturas independentes possam usufruir das mesmas condições deles próprios e, dessa maneira, condicionando à priori o resultado das eleições. Neste momento, com as condições legislativas criadas e defendidas pelos partidos, os resultados eleitorais estão já profundamente condicionados, sabendo-se de antemão que, em Concelhos de grande dimensão, como a nosso, é quase impossível a uma qualquer candidatura totalmente independente (de interesses partidários ou outros)  ganhar as eleições. Seria, por isso, um exercício de vil propaganda o avançar com uma candidatura condenada de antemão.

Depois, porque estes últimos quatro anos de mandato enquanto vereadora independente na Câmara Municipal de Cascais, foram uma atroz constatação da falta de conhecimento e de interesse real que os partidos políticos têm relativamente à realidade municipal; da falta de respeito por todos os Cascalenses que ousem defender ideias diferentes daquelas que têm os que nos governam; e, enfim, das máquinas de propaganda que estão montadas unicamente para satisfazer egos e/ou  interesses partidários e eleitoralistas.

Durante estes quatro anos, recebi e falei com muitos munícipes de Cascais. Dei voz às suas críticas, fiz eco das suas sugestões e procurei que todos eles fossem tratados pela edilidade com a dignidade que merecem. Mas isso nem sempre foi possível. Mesmo quando questionados oficialmente em reuniões de câmara e lealmente colocados perante factos que poderiam explicar, os que detêm o poder optam, a mais das vezes, por contornar as questões e por evitar esclarecimentos, numa lógica de clientelismo partidário e opacidade de governação.

Talvez por isso , Cascais é hoje um dos municípios pior colocado nos rankings oficiais de transparência e desceu do 21º lugar em 2011 para o inaceitável 97º lugar da listagem deste ano.

Como todos sabem, defendo um projecto de futuro para a Nossa Terra. Nos diversos cargos em que até hoje servi, tive o cuidado de preservar a minha independência, aplaudindo sempre que as medidas tomadas por outrem defendiam os interesses de Cascais e criticando quando assim não acontecia. Em qualquer dos casos, apresentando sempre sugestões positivas que contribuíssem para a melhoria da vida em Cascais.

Foi assim em muitas áreas: com o Património Cultural,  com o Ambiente, com as Políticas de Saúde,  com a Educação, com a Assistência Social, com o Turismo,  com a forma de governação, etc..

E foi assim, sobretudo, com as várias versões do nosso Plano Director Municipal, instrumento de planeamento do território que condiciona o nosso futuro… Em 2015, durante o período de discussão pública deste documento essencial, co-elaborei e co-publiquei, mais de 150 páginas de críticas e sugestões para melhorar o plano (Ver AQUI). Mas, como resposta, recebi uma página a dizer que nenhuma das ideias que defendi foi acolhida (nenhuma de tantas  apresentadas!) e ainda tive de ouvir de quem governa esta terra  que “nenhum Cascalense da oposição teve a coragem de intervir na dita consulta pública”…

 Assumo, por isso, esta minha decisão de não participar no jogo de guerrilha partidária em que as próximas eleições autárquicas já estão avassaladoramente envolvidas, sabendo de antemão que não será nesse palco que melhor poderei defender os interesses legítimos de Cascais.

Os desafios colocados a Cascais exigem conhecimento do território municipal, imparcialidade relativamente às decisões a tomar e desinteresse profundo relativamente aos muitos interesses que há demasiado tempo determinam a sina desta terra.

Só colocando como objectivo a recuperação da qualidade de Cascais, assumindo a sua vocação turística e a recuperação da marca ‘Estoril’ podemos aspirar a um futuro que esteja em linha com a herança de excelência que herdámos dos nossos avós. Para tal será necessário focarmo-nos no futuro, planearmos numa escala geracional e sermos capazes de contornar a mesquinhez da pequena política partidária que responde somente a interesses específicos e eleitoralistas.

Por isso, não deixarei de continuar a intervir na defesa do futuro da Nossa Terra, ainda que num âmbito diferente daquele que conheceram ao longo destes quatro últimos anos.

Contem comigo amanhã e sempre! Porque sobre o sangue e a memória dos nossos avós  deve ser construído, por todos nós,  um Cascais condigno para os nossos netos!»

De realçar que a advogada e jurisconsulta Maria Isabel Cabral de Magalhães, para além de uma longa carreira nessa área, tem-se notabilizado pela intervenção cívica e política, exercida, sobretudo, no concelho de Cascais, de onde é natural. Assim, para além de fundadora da Fundação Cascais, foi vereadora independente da Câmara Municipal de Cascais, no período de 1998 a 2001, cargo para o qual voltou a ser eleita em 2013, quando se candidatou à presidência pelo Movimento Ser Cascais, que fundou com o fim de dinamizar a participação ativa dos cidadãos na política local.

cyberjornal, 3 Março 2017

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