Os sítios arqueológicos e a cadeira de rodas

defecientcadeirarodasPor: José d’Encarnação 

A circunstância de ter sido eleito um deputado que se movimenta em cadeira de rodas determinou uma série de comentários televisivos, em jeito de como quem diz «bem prega Frei Tomás!...». E, afinal, até as mais altas instâncias têm telhados de vidro, embora andem sempre por aí a atirar pedras aos alheios!...

 

 

 

 

Não terá sido alheia a esse movimento a atitude do director do Museu Nacional de Arqueologia em mandar referir, nos convites para iniciativas a decorrer no «salão nobre» do museu, sito no piso superior, que não há condições de acessibilidade, na medida em que, na página do museu, se afirma: «Acesso deficientes: Todos os espaços de exposição e de acolhimento são acessíveis a visitantes que se deslocam em cadeiras de rodas». O piso superior não é.

Valerá, pois, a pena transcrever passagens do desabafo, de que me foi dado conhecimento, de um amante da Arqueologia, ora já de provecta idade e obrigado a movimentar-se em cadeira de rodas. Foi revisitar Conímbriga.

 «As ruínas foram por mim visitadas pela primeira vez em 1956 e anos seguintes, quando das idas a Coimbra. […] Entretanto estou radicado na Alemanha e encontro-me deficiente com cadeira de rodas. À chegada e na compra do bilhete de acesso fomos informados que não era possível visitar os sítios assim como a zona intramuros, por ser impossível a utilização de cadeira de rodas. Contudo informaram que podia ir pelo parque das merendas. Foi uma aventura com várias situações bastante arriscadas e, de certo modo, perigosas, visto não haver um caminho e, portanto, verificar-se falta de segurança. O chão da entrada para as ruínas também não é ideal para uma cadeira de rodas. Com bastante dificuldade cheguei à "casa dos repuxos", onde fiquei, enquanto a família e amigos visitavam as ruínas. […]

 A minha família fora a Tróia em Maio deste ano e lá havia a possibilidade da visita com cadeira de rodas e, como Conimbriga era muito mais importante como estação arqueológica, nunca pensámos que não se podia visitar com cadeira de rodas.»

Comunicado superiormente o desabafo, houve resposta, de que pode deduzir-se o seguinte:

- a situação é bem conhecida das entidades competentes;

- a questão dos pavimentos (e, em alguns casos, de passadiços que vençam os obstáculos) faz parte do conjunto de projectos que está a ser desenvolvido e eventualmente (quando o problema do financiamento estiver resolvido) serão executados.

                                                                                                   

 

 

cyberjornal, 22 Novembro 2015

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