Colete monitoriza doença pulmonar

UCCesarTeixeira JorgeHenriques RuiPedro PaivaPauloCarvalhoNove investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integram um consórcio europeu que desenvolveu um colete inovador para monitorização contínua da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), uma doença que, segundo previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 será a quarta causa de morte e a sétima de morbilidade no mundo

Desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos, o projeto WELCOME, acrónimo de Wearable Sensing and Smart Cloud Computing for Integrated Care to COPD Patients with Comorbidities, teve como grande objetivo desenvolver um sistema tecnológico que mude o paradigma no tratamento e acompanhamento dos pacientes que sofrem de DPOC com comorbilidades (designadamente insuficiência cardíaca, ansiedade, depressão e diabetes), apostando na designada Medicina P4 - preditiva, preventiva, personalizada e participativa.

Com um financiamento de seis milhões de euros do programa FP7 da União Europeia, o consórcio que envolve também pneumologistas, terapeutas respiratórios e farmacêuticos, bem como a indústria, conseguiu, pela primeira vez, produzir um colete que incorporasse um sistema de tomografia de impedância elétrica, equipamento que permite obter, de forma não invasiva, imagens dos pulmões geradas através da passagem de uma corrente elétrica.

«Esta foi a grande inovação do projeto, mas o colete - que é apenas uma parte da solução tecnológica desenvolvida - integra tecnologia diversa, concretamente um vasto conjunto de diferentes tipos de sensores para monitorização contínua de sinais fisiológicos (eletrocardiograma, saturação de oxigénio, sons respiratórios, frequência respiratória e atividade física)», descreve Rui Pedro Paiva, docente do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC e coordenador da equipa portuguesa.

«O WELCOME Vest efetua a aquisição em tempo real de um imenso volume de dados muito díspares e envia-os para um dispositivo do paciente (tablet ou smartphone), onde é realizado o pré-processamento da informação recolhida para validar a sua qualidade. Também no tablet, o paciente dispõe de uma aplicação com um conjunto de tarefas a realizar pelo próprio, tais como resposta a questionários de fadiga, medição de pressão arterial, pesagem ou visualização de vídeos (in)formativos», esclarece.

Concluída esta pré-validação, os dados são remetidos para uma “central de informação” instalada na Cloud (computação na nuvem), onde se encontram todos os algoritmos desenvolvidos pelos cientistas do consórcio, «para o processamento dos diferentes tipos de informação que permita traçar o quadro do paciente e prever exacerbações (episódios de agravamento da doença), fornecendo ao médico, através de um sistema inteligente de apoio à decisão, informação que possibilite atuar atempadamente, evitando internamentos e atuando ao nível da prevenção e mitigação das comorbilidades da DPOC», realça o investigador.

Embora o sistema seja muito complexo do ponto de vista tecnológico – em que o ponto crítico foi a integração das várias tecnologias no Welcome vest - é relativamente simples de utilizar: «as provas de conceito correram bastante bem, nos testes efetuados com pacientes, onde foi analisada a usabilidade da solução tecnológica, o colete foi considerado confortável e fácil de usar», afirma Rui Pedro Paiva.

De acordo com o especialista em informática clínica, esta solução tecnológica «terá um impacto socioeconómico muito elevado não só na qualidade de vida e conforto do doente, mas também nos sistemas de saúde. Apostamos numa abordagem proativa e centrada no paciente, visando a deteção precoce de complicações.»

Comprovado o conceito, a investigação vai agora centrar-se na melhoria da robustez e fiabilidade do sistema tecnológico. A União Europeia aprovou já um financiamento de quatro milhões de euros no âmbito do programa H2020 para que a investigação prossiga.

 

 

 

 

UC/cyberjornal, 21 Outubro 2018

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